Farmácia Solidária é lei no RS

O programa que criou a Farmácia Solidária em Farroupilha (RS), por meio do qual são gratuitamente dispensados medicamentos usados e não expirados, em condições de uso avalizadas por farmacêutico, está sendo estendido ao Estado do Rio Grande do Sul. Isto foi possibilitado por lei estadual sancionada ontem (2 de outubro), de autoria da deputada Francis Somensi (http://proweb.procergs.com.br/temp/PL_158_2019_03102019172234_int.pdf?03/10/2019%2017:22:35).

A medida beneficia pessoas carentes, que poderão receber, de forma controlada e mediante receituário do SUS, medicamentos de que necessitam.

No município de Farroupilha, onde um programa municipal similar está em vigor desde julho de 2015, mais de duas toneladas de resíduos de medicamentos foram corretamente destinadas a partir da iniciativa, deixando de contaminar o solo e a água. Além disto, estudo realizado por pesquisadores em 2017 e 2018, publicado em 2019, mostra benefício socioeconômico indireto à população local. Uma survey junto a 124 beneficiários aponta que eles economizaram, em média, o equivalente a 17% do salário mínimo. Esse valor foi, segundo a pesquisa, redirecionado principalmente para a compra de alimentos e outras despesas familiares básicas. O estudo completo pode ser acessado em http://www.repositorio.jesuita.org.br/bitstream/handle/UNISINOS/8666/Rubem%20João%20Bertolo_.pdf?sequence=1&isAllowed=y

Os desafios estão apenas começando com a ampliação da escala desse programa que, na prática, é um mix de logística reversa e economia circular aplicado à cadeia de operações farmacêutica.

Como envolver e gerar valor para as demais partes da cadeia produtiva, além dos beneficiários já atendidos?

Como os municípios que aderirem ao programa vão sustentar a destinação final dos medicamentos expirados, que devem ser destinados a aterros de resíduos perigosos?

Como os municípios que aderirem a este sistema de fluxos reversos vão atuar e de que forma as lições já aprendidas em Farroupilha chegarão até eles?

Como os profissionais farmacêuticos serão preparados para atuar com fluxos reversos?

E as tecnologias de apoio a esses fluxos (apps etc), onde estão?

São muitas as dúvidas e pelo menos uma certeza: muito estudo e articulação serão necessários para que as partes interessadas sejam ativas no processo.

Cláudia V. Viegas

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